2026-03-26

Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco lança alerta sobre a crise no sector agrícola

A Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco (ADACB) manifesta profunda preocupação com as graves dificuldades enfrentadas pelos agricultores da região, que têm sido vítimas de uma sucessão de factores adversos que comprometem seriamente a viabilidade económica de muitas explorações.

Os produtores foram severamente afectados pelos grandes incêndios florestais  no Verão, recentes intempéries muito devastadoras como a tempestade Kristin e, mais recentemente, devido à guerra, pelo aumento brutal do custo dos factores de produção, nomeadamente o gasóleo agrícola e os fertilizantes.

A ADACB critica a resposta tardia do Governo, que tem falhado na entrega dos apoios prometidos, deixando os agricultores à sua sorte. A Associação apela a uma actuação urgente e eficaz, que permita que os apoios cheguem de facto a quem precisa, e defende que sejam priorizados investimentos no arranjo e manutenção dos caminhos rurais e florestais, essenciais para a circulação e a actividade no terreno.

Além disso, a ADACB expressa a sua insatisfação com a postura das grandes superfícies comerciais, que, em vez de apoiarem os produtores nacionais, continuam a importar alimentos de origem animal e vegetal, agravando as dificuldades de escoamento dos produtos agrícolas a preços compensatórios e prejudicando a economia nacional e a sustentabilidade do sector agrícola português. Este comportamento revela uma clara falta de solidariedade destes agentes para com os agricultores que enfrentam dificuldades sem precedentes.

 

Principais propostas da ADACB:

É urgente que o Governo implemente um controlo efectivo do mercado energético, com particular atenção para o gasóleo agrícola. A regulação dos preços é crucial para evitar que os custos de produção continuem a subir de forma descontrolada.

A ADACB associa-se à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e propõe a criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes, rações e outros insumos necessários para a produção agrícola. Esta iniciativa visa reduzir os custos de aquisição, garantir preços mais acessíveis e dar aos agricultores as condições para manterem a sua actividade produtiva de forma sustentável.

É fundamental que o Governo actue de forma firme e constante na fiscalização e combate à especulação nos preços dos combustíveis, rações, fertilizantes e outros factores de produção.

A maximização de lucros indevidos por parte de alguns agentes do sector não pode ser tolerada, uma vez que agrava ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e a economia e soberania nacional.

A ADACB alerta que, se o Governo não tomar medidas concretas e urgentes, o sector agrícola poderá enfrentar uma crise profunda, com consequências directas para a produção alimentar e para a sustentabilidade das explorações agrícolas. A manutenção da produção agrícola e florestal é imprescindível para garantir o abastecimento de alimentos à população, garantir a soberania alimentar e preservar o nosso território.

A ADACB reafirma o seu compromisso com os agricultores e com o desenvolvimento de um sector agrícola mais justo, sustentável e solidário.