2025-08-23

ADACB apela a apoios urgentes ao Governo após devastação dos incêndios

 
A Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco (ADACB) e a Associação Florestal do Interior (AFIN) enviou uma carta ao Primeiro-Ministro e ao Ministro da Agricultura e Pescas sobre os incêndios florestais, cuja divulgação foi feita a 23 de Agosto em conferência de imprensa.
 
Os incêndios que, mais uma vez, este verão estão a devastar vastas áreas do Interior do País e muito particularmente a nossa região não são apenas uma tragédia ambiental — são também um retrato cruel da situação do nosso mundo rural. As imagem da comunicação social valem por todas as palavras que possamos usar para caracterizar esta tragédia. Os prejuízos para os agricultores, produtores florestais e populações são incalculáveis, não só em perdas materiais, mas também em perda de esperança.
 
Face a esta realidade, a Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco (ADACB) e a Associação Florestal do Interior (AFIN) tomaram a iniciativa de enviar uma carta urgente ao Senhor Primeiro Ministro e ao Senhor Ministro da Agricultura e Pescas, que hoje aqui damos a conhecer publicamente.
 
Nessa carta, expressamos a nossa profunda preocupação com a situação no terreno, apelamos a uma ação imediata por parte do Governo e solicitamos:
  • A definição rápida e atribuição de apoios monetários para a recuperação de infraestruturas agrícolas, florestais e pecuárias, bem como para compensar a perda de produção e a destruição de colmeias, vinhas, olivais e pomares;
  • A valorização da agricultura como instrumento fundamental de prevenção de incêndios, preservação do território, coesão social e combate ao despovoamento;
  • O reforço urgente dos apoios aos produtores florestais, que enfrentam hoje preços de mercado insustentáveis para a madeira, o que torna inviável qualquer plano de regeneração florestal sustentável.
Além disso, a carta propõe medidas estruturais essenciais, entre as quais destacamos:
  1. . A reformulação do programa Vale Floresta, com atribuição de 1200 euros por hectare por ano aos produtores, para uma melhor gestão por parte dos produtores da Biomassa florestal;
  2. Quando na próxima revisão do PEPAC, deve haver um aumento dos apoios ao Regime dos Pequenos Agricultores, para o máximo permitido pela UE e valorização do pastoreio nas zonas de montanha;
  3. O financiamento adequado à constituição de novas equipas de sapadores florestais, cobrindo de forma justa todo o território do interior e dignificando a carreira destes profissionais atraindo jovens para esta atividade;
  4. A valorização efetiva da madeira e dos produtos florestais, tornando a exploração economicamente viável.
Este incêndios deixam claro que a gravidade dos mesmos não resulta da dimensão das propriedades, mas sim de fatores como a desertificação, o envelhecimento da população e a crescente pobreza das zonas rurais.
Por isso, apelamos ao Governo para que promova políticas estruturais que fixem a população ativa, diversifiquem a economia rural e incentivem o rejuvenescimento demográfico. A agricultura e a floresta, nas mãos de quem cá vive, trabalha e resiste, são a única solução possível para evitar que este ciclo de destruição continue.
 
Estas Associações reafirmam total disponibilidade para colaborar com o Estado na implementação destas medidas. Mas é necessário que exista vontade política — real, comprometida e urgente.
 
Esta carta é mais do que um apelo. É um grito de alerta em nome de todos os que aqui vivem e produzem. E é também uma mensagem de esperança: com ações concretas, ainda vamos a tempo de salvar os nossos territórios.
 
Muito obrigado.